Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005

Aborto, vida ou morte


Hoje, enquanto escrevo estas palavras, está a decorrer mais uma sessão da audiência de julgamento de sete mulheres, e um médico, acusados de terem efectuado aborto, fora dos casos previstos por lei.
Cá fora, diversas personalidades pró-aborto, tentam passar a mensagem de que a proibição do aborto é um indicador do atraso do nosso país em relação aos restantes países, em que o mesmo se encontra liberalizado. Mas será assim? Poderemos simplificar a questão, ao mero facto de os outros “o fazerem”, logo está bem feito? Parece-me que não.
A relativização do aborto, com frases do tipo “ o corpo é meu....”, Tornam a questão, pelo menos para mim, um pouco preocupante, pois se é certa a premissa, até ao ponto que a mulher é una, só, deixa de o ser, a partir do momento em que esta possui dentro do seu ventre um ser humano. Motivo esse, só por si, para que o estado como defensor maior dos direitos naturais, não decida em prol de um bem, que é a liberdade de escolha, em detrimento de um outro, bem maior, que é o direito à vida.
A questão começa mesmo aí, a vida só começará no momento do nascimento? Pelo menos é quando adquire a personalidade jurídica, mas será essa a questão mais importante? Também não interessa, já que nos levaria para um outro campo, da ética, religião, que não abordaremos, pelo menos aqui, pois a questão ainda não é consensual, mesmo dentro da comunidade médica.
Importa abordar apenas a questão do “facilitismo”, que se quer alcançar com a despenalização do aborto, que já se encontra prevista no nosso código penal, em que o aborto é permitido em determinadas circunstâncias, todas elas especiais, e que acarretam grande dor para as mães que se vêem forçadas a recorrer à interrupção da gravidez, sendo elas a violação, e as más formações do feto, até determinado tempo, todas as outras serão proibidas por lei.
Tenho também, plena consciência do verdadeiro negócio que envolve o aborto, que poderá interessar a muitos, das condições precárias em que o mesmo é praticado, muitas vezes com risco para as próprias mães, e que o mesmo poderia ser realizado com todas as condições, nos hospitais públicos, com apoio psicológico para quem se vê obrigado a fazê-lo.
Mas será lícito, que uma gravidez, que não foi planeada, as vezes por incúria dos progenitores, quer sejam casados ou não, que uma atitude menos pensada por parte de dois jovens, leve a uma gravidez indesejada, seja encaminhada para o hospital para a realização da “solução fácil”, quantos de nós não estaríamos cá, se o aborto fosse liberalizado, quantos de nós não ouvimos familiares dizer,” já não era para vir...”, “...foi um descuido”, e desse descuido, nasceram irmãos e irmãs que tanto amamos.
Será Lícito que o aborto seja uma solução para os problemas sociais, para a falta de condições de vida por parte dos progenitores, não deverá o estado assegurar os meios de sobrevivência de quem não se pode defender.
Ou será mais barato o internamento, e a posterior realização do aborto?
Mas, o que verdadeiramente me preocupa, é que a liberalização do Aborto, seja encarada como mais um método anti-concepcional, uma medida de recurso, quando deveria ser, e em último caso, uma medida de excepção.

PP
(republicado)

publicado por PP às 14:44
link do post | comentar | favorito

.Junho 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


SAPO Blogs

.Forúm do INSANIDADES

ForumInsanidades

.subscrever feeds